A influência política nos jogos da seleção brasileira
- coberturasespeciai
- 6 de dez. de 2022
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Com primeiro gol de Neymar na Copa, bolsonaristas e lulistas se manifestam nos bares do Rio de Janeiro, nesta segunda feira (05)
Por: Leonardo Marchetti

Foto: Leonardo Marchetti
"Faz o 22 Neymar", gritou Mauro às 16:23 - momento que o jogador converteu o pênalti. O clima já era de festa entre as centenas de pessoas que assistiam o jogo em um bar na zona sul carioca. Vinícius Júnior havia aberto o placar contra a Coreia do Sul aos 7 minutos do primeiro tempo. “Faz o 13 Richarlison”, gritou Luana às 16:39, quando Richarlison (o pombo) marcou o terceiro gol brasileiro. Mauro e Luana estavam no mesmo bar e entre eles, uma distância de 10 metros.
Pela primeira vez uma Copa do Mundo é realizada pouco mais de duas semanas após o segundo turno do pleito presidencial. Com a intensa polarização política desta eleição, o maior jogador brasileiro da atualidade decidiu declarar seu apoio a Jair Bolsonaro (PL) e disse que, em seu primeiro gol, comemoraria fazendo o número 22 com as mãos, número do presidente que tentava a reeleição. Richarlison não declarou apoio nem a Lula (PT) e nem a Bolsonaro (PL), mas, segundo Luana, o jogador defendeu a vacina contra a Covid-19, se manifestou pela preservação da Amazônia, luta pelo antirracismo e defende pautas progressistas. “Por isso, os torcedores associam o jogador com o presidente Lula. E que legal associar uma pessoa que luta por pautas que deviam ser obrigatórias do governo, ao Lula”, disse a coordenadora de assistência social da prefeitura do Rio de Janeiro, Luana Prado.
Após a lesão de Neymar no jogo contra a Sérvia, apoiadores de Lula comemoram a saída do jogador e o afastamento do camisa 10 durante dois jogos. No Twitter, o deputado André Janones (Avante) - fiel apoiador de Lula - ironizou a contusão do camisa 10. Em um vídeo, parte da equipe de transição do governo aplaude Richarlison e faz gesto irônico de “tchau” para Neymar no primeiro jogo da seleção na Copa. O economista Mauro Vasques afirmou que a atitude foi um erro grave dos políticos. “Copa do Mundo é para todos e não é por que você apoia o Lula que você tem que comemorar a lesão do Neymar”, finalizou Vasques.
Ainda há muitas manifestações pelo Brasil contra o resultado das eleições. Bolsonaristas pedem incansávelmente a anulação dos votos e ficam na porta de quarteis do exército pedindo intervenção militar. Mauro, que votou em Jair Bolsonaro, diz que o país ainda está de luto e que o clima eleitoral ainda não acabou. “De alguma maneira os bolsonaristas trouxeram essa disputa política para dentro do esporte”, disse o economista.
O governo Bolsonaro ficou marcado pela busca do patriotismo e a bandeira do Brasil virou símbolo eleitoral do presidente. Apoiadores de Bolsonaro estavam de verde e amarelo em todas as manifestações. Com a chegada da Copa, alguns brasileiros enxergam a oportunidade de resgate do valor original da bandeira e da camisa da seleção.“Com a vitória de Lula, estamos tentando recuperar aquilo que era símbolo do governo Bolsonaro: a bandeira do Brasil. Houve um sequestro!”, concluiu Luana.



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