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A sustentabilidade em foco na Copa do Mundo

  • coberturasespeciai
  • 22 de nov. de 2022
  • 4 min de leitura

Estádios desmontáveis e mega usina de energia solar foram construídos no meio do deserto para o Mundial


Por: Leonardo Marchetti e Thays Bastos


Imagem: Reprodução/ Internet


Desde a Copa do Mundo de 2014, a FIFA passou a investir cada vez mais em práticas sustentáveis. O compromisso do país-sede com essas iniciativas ambientais foi um dos pré-requisitos impostos pela federação. Apesar das problemáticas sociais, a Copa do Mundo no Catar está criando um legado de desenvolvimento sustentável que vai permanecer pelos próximos anos no país.


Conhecida como uma Copa compacta, as infraestruturas – tanto de estádios quanto de hotéis – foram pensadas para os deslocamentos de torcedores e jogadores. A maior distância entre uma acomodação e um estádio é de apenas 75km, dando oportunidade para o torcedor conseguir ver dois jogos no mesmo dia durante a fase de grupos.


Mas para toda essa festa acontecer, o processo até a construção de todos os estádios foi trabalhoso. É o que diz Marcela Santos, 29, moradora do Catar há mais de 12 anos. “Houve muitos transtornos, engarrafamentos e ruas fechadas. Mas o legado que vai ficar das construções e dos empreendimentos, vai servir para um avanço do país”.


Em 2014, várias cidades do Brasil sediaram jogos que exigiam grandes deslocamentos – o que aumenta a emissão de carbono, um dos fatores que o Catar se propôs a reduzir em 2022. O mesmo aconteceu na Rússia, em 2018, um país com proporções continentais, onde o transporte das delegações e do público gerou um impacto significativo na emissão de gases.


Segundo o relatório de sustentabilidade oficial da FIFA, sobre a Copa do Mundo no Brasil, a emissão total foi de 2,72 milhões de toneladas de carbono. Já em 2018, na Rússia, foram produzidas 2,17 milhões de toneladas de carbono. A fim de reduzir ao máximo essas emissões, a FIFA, junto ao governo catariano, decidiram implementar práticas rigorosas de sustentabilidade.


O evento no Catar deve gerar 3,63 milhões de toneladas de dióxido de carbono, segundo um informe publicado pela FIFA, em junho de 2021. Essa projeção está subestimada, especialmente porque as emissões ligadas às construções dos estádios são potencialmente até oito vezes mais elevadas do que o anunciado. Além disso, o Catar é o maior emissor per capita de dióxido de carbono do mundo.


Em entrevista, o graduando em engenharia ambiental pela Paristech, Rafael Nascimento, explicou: "A sustentabilidade deixou de ser uma preocupação de governantes e grandes entidades, para se tornar uma questão cotidiana da vida de cada um de nós. Precisamos e devemos fazer a nossa parte na construção de um planeta melhor”.


Conheça as 3 principais medidas sustentáveis:

  • INFRAESTRUTURAS SUSTENTÁVEIS

Imagem: Reprodução/ Internet


O estádio chamado de 974 recebeu esse nome devido a sua construção ser feita utilizando 974 containers. Os espaços acomodam desde os setores mais simples até os mais nobres, onde estarão os diretores e convidados VIPs. A iniciativa representa um projeto diferente e ousado para um estádio de futebol. Criado especialmente para a Copa do Mundo e com data de validade, outro estádio, o Ras Abu Aboud, será desmontado após a competição e será aproveitado na construção de praças esportivas no país.


Ao todo, foram construídos oito estádios para sediar os jogos do mundial. Os empreendimentos foram feitos com materiais reciclados da demolição de estádios antigos, sendo que apenas um deles, o Internacional Khalifa, não foi levantado do zero. Apesar de ser bastante novo, inaugurado em 2017, o Khalifa passou por uma grande reforma e teve suas instalações modernizadas para receber 8 jogos do Mundial, incluindo a semifinal.


  • MOBILIDADE URBANA

Por se tratar de um país pequeno, os oito estádios onde acontecerão os jogos foram construídos na região de Doha (capital do país) para diminuir o deslocamento das delegações e dos torcedores. Isso permitirá que as seleções fiquem hospedadas no mesmo lugar e, consequentemente, não tenham que se deslocar em grandes distâncias.


Além disso, será priorizado o transporte público, como o metrô, trem ou ônibus elétrico. Essa meta permeou todas as etapas do evento, desde a infraestrutura e geração de energia elétrica até o transporte para que fossem adotadas soluções que reduzissem esse impacto citado anteriormente.


EFICIÊNCIA ENERGÉTICA


Imagem: Reprodução/ Internet


Para abastecer toda a infraestrutura do evento, a FIFA e o governo catariano decidiram investir em uma mega usina de energia solar. Uma estrutura de 10km², que comporta 800 MW, junto a outras cinco subestações de eletricidade, suprirá os estádios durante a Copa. A energia solar, inclusive, tem índice de emissão de carbono zero, já que a geração não emite nenhum poluente.


Os sistemas de refrigeração e iluminação de alguns estádios também serão via energia solar. Os projetos foram construídos para aproveitar ao máximo a iluminação natural, além de serem eficientes no uso de água. Uma vez que os jogos acabarem, a usina continuará em funcionamento, deixando um legado de redução de emissões de carbono e energia limpa para a região.


“No verão, chegamos a ter temperatura com sensação de mais de 60 graus e com umidade altíssima”


A sustentabilidade adotada para esta Copa do Mundo anda junto com a tecnologia e a inovação. Na opinião de quem mora no Catar, as iniciativas inovadoras adotadas pelo país deixarão um legado positivo durante décadas. “Acho que este é um cenário de vitória, por termos um evento tão importante quanto esse. O país sempre foi atualizado, mas sempre foi esquecido. Ninguém se importa muito com o futebol do Catar. O legado que vai ficar das construções, dos empreendimentos, vai servir para um avanço do país”, finalizou Marcela Soares.




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