Cercada por contradições, Copa do Catar é alvo de críticas e boicotes
- coberturasespeciai
- 21 de out. de 2022
- 3 min de leitura
Pela primeira vez, a competição será sediada no Oriente Médio; cultura local se tornou motivo de discussões em todo o mundo.
Por: Beatriz Mattos e Maria Luiza Leal

Estádio Internacional Khalifa, em Doha / Foto: Matthew Ashton/AMA/Getty Images
Criada em 1930, a Copa do Mundo acontece de quatro em quatro anos e é, ao lado das Olimpíadas, um dos maiores eventos esportivos da atualidade. Foi uma surpresa quando, na cerimônia de encerramento da Copa da África do Sul, o Catar foi sorteado para sediar a competição de 2022, e se tornou o primeiro país do Oriente Médio a receber o evento. Com uma cultura forte, e muitas vezes considerada ultrapassada pelo Ocidente, o Catar está envolvido em diversas polêmicas relacionadas, principalmente, às leis severas impostas no país. (quais?)
A primeira questão que ganhou destaque foi a mudança da data do evento. O verão do Oriente Médio foi motivo para que a competição fosse adiada para o fim do ano, em função da preservação da saúde dos atletas - que encontrariam dificuldades em competir sob temperaturas próximas aos 50 graus. Com isso, a Fifa concordou, pela primeira vez, em realizar o evento durante os dois últimos meses do ano, dos dias 21 de novembro até 18 de dezembro. Além da mudança de data, o país-sede também investiu em novas tecnologias de resfriamento dos estádios que funcionam a partir da captação de energia solar e, dessa forma, vão ajudar no desempenho dos atletas, no bem estar do público e dos demais profissionais dentro das arenas.
Com um investimento de aproximadamente 200 bilhões de dólares, a Copa do Catar já é a mais cara da história, com um orçamento quase 15 vezes maior do que o antigo recorde, que era do Brasil. Grande parte dos custos atribuídos fazem parte de um plano mais amplo para consolidar o emirado como um destino turístico, levando em consideração que os custos associados aos estádios representam menos de 10% do valor total. No entanto, mesmo com os luxos anunciados, o país-sede continua cercado por polêmicas. Nas últimas semanas, o Emir Tamim bin Hamad al-Thani e o comitê da FIFA foram surpreendidos com um relatório feito pela Anistia Internacional, que acusou os envolvidos de exploração de imigrantes e trabalho escravo. Uma matéria do jornal britânico The Guardian revelou que aproximadamente 6.500 imigrantes morreram no Catar desde o anúncio de que o país sediaria a Copa do Mundo.

Estádio Al Wakrah - Divulgação / Trabalhadores imigrantes no Catar - Foto: Getty Images
Homossexualidade é considerado crime
O fato de a homossexualidade ser considerada um crime no país também levantou polêmicas nas ultimas semanas. Demonstrações de afeto entre pessoas do mesmo sexo podem resultar em pena de prisão de 7 anos. Mesmo com essas condições, o presidente do Comitê da Copa do Mundo, Nasser Al-Khater, garantiu que a estadia da comunidade LGBTQIA+ será boa desde que sejam respeitados os costumes e leis locais: "A versão de que as pessoas não se sentem seguras aqui não é real. Eu já disse isso e digo novamente, todos são bem-vindos e se sentirão seguros aqui. O Qatar é um país tolerante, acolhedor e hospitaleiro. Somos muito mais modestos e conservadores e é isso que pedimos aos torcedores que respeitem. Respeitamos as diferentes culturas e esperamos que outras culturas respeitem a nossa” disse Al-Khater em coletiva de imprensa com a CNN.
Por questões ligadas à religião, o consumo público de bebidas alcoólicas é proibido em todo o país e essa questão causou um clima de tensão entre o comitê da Fifa e a Budweiser, uma das marcas que patrocinam o evento há quase quatro décadas. Após uma série de negociações com o governo muçulmano, a Fifa afirma que as versões sem álcool da cerveja serão vendidas dentro dos estádios. Além disso, será permitido beber até 30 minutos antes dos jogos, e depois dos jogos, nas zonas ao redor dos estádios - mesmo que por um período de tempo curto. Fora esses momentos, as bebidas continuarão sendo comercializadas dentro dos hóteis e em alguns restaurantes.
Em meio a um cenário controverso, a menos de dois meses para a bola rolar, cresce o número de pedidos de boicote à Copa do Mundo e não é apenas a mídia que tem pressionado o país acerca das condições trabalhistas, humanitárias e ambientais, mas também algumas das seleções. A Dinamarca, por exemplo, já anunciou um boicote comercial ao campeonato: as camisas da equipe substituirão os patrocínios por mensagens humanitárias. Da mesma forma, Paris e mais cinco cidades francesas anunciaram que não farão eventos ou disponibilizarão telões para transmissão dos jogos. “Comprometidos com os valores do compartilhamento, da solidariedade no esporte e da construção de um lugar mais sustentável, não podemos contribuir para a promoção da Copa do Mundo de 2022 no Catar, que se tornou um desastre humano e ambiental” declarou Pierre Hurmic, prefeito de Bordeaux.




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