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Nike proíbe nomes e números de partidos em camisas da seleção

  • coberturasespeciai
  • 14 de out. de 2022
  • 2 min de leitura

Palavras em inglês, palavrões e nomes de partidos também não são aprovados


Por: Beatriz Mattos e Laura Tito


Reprodução/Nike


A Confederação Brasileira de Futebol (CBF), em conjunto com a Nike, apresentou ao público, em agosto deste ano, o novo modelo da camisa da Seleção Brasileira. Em virtude do período eleitoral, a empresa proibiu a personalização dos nomes na camisa com qualquer referência a candidatos e partidos, a fim de desvincular o seu uso político.


Inspirada na onça-pintada brasileira, a camisa trouxe uma inovação no design, que conta com as pintas do animal em 3D espalhadas pelo modelo. O novo modelo chega a custar quase R$350. Já a caracterização do nome nas costas, com até 10 caracteres, traz um acréscimo de R$14,99 ao preço. Entre as palavras que são proibidas de serem gravadas, podemos citar: “mito”, “comunismo”, “socialismo”, nomes de políticos ou de partidos. Além disso, a Nike proibiu também palavras de cunho religioso, como o nome de Orixás - apesar de ter liberado nomes como Jesus e Cristo.


Em uma nota ao site MarcoZero, a marca se pronunciou sobre o assunto: “A Nike, como descrito na própria página, não permite customizações com palavras que possam conter qualquer cunho religioso, político, racista ou mesmo palavrões. A marca reforça ainda que este sistema é atualizado periodicamente visando cobrir o maior número de palavras possíveis que se encaixem nesta regra”.


Uma parte do público se mostrou contrária à decisão da marca. O grupo afirma que, segundo o Código de Defesa do Consumidor, as restrições têm que estar à disposição do consumidor. “Essas restrições têm que ser objetivas. Não pode haver restrições subjetivas e de caráter geral”, como é dito no Código.


De acordo com o professor de marketing da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), Marcelo Boschi, a marca pode perder clientes por conta de seu posicionamento, principalmente entre os eleitores fiéis do atual presidente Jair Bolsonaro. “Estamos em um momento de exacerbação de sentimentos, eles contra nós, FLA X FLU da vida nacional, este fato pode ser interpretado desta forma”, diz o professor.


No twitter, o jornalista José Passini mostra uma simulação de compra das camisas da copa pelo site oficial da Nike. No teste, os nomes Lula e Bolsonaro não foram aprovados na customização da blusa, porém o nome do pedetista Ciro Gomes, candidato à presidência no 1º turno, foi aprovado pelo site na customização.



O Corinthians é o único time brasileiro que possui patrocínio da Nike. Perguntado sobre posicionamento da marca acerca de questões políticas, o universitário Matheus Lukschal afirma que a marca poderá perder alguns consumidores mais engajados na política, mas que isto não afetará financeiramente a marca. “Imagino que possa perder clientes, sim, uma vez que os fanáticos em política podem se sentir ofendidos com essa decisão. Mas de qualquer jeito não seria suficiente para mexer nos bolsos da Nike”, diz o estudante. De acordo com o professor Marcelo Boschi, uma estratégia de marketing ideal para a marca seria um anúncio para TV que mostrasse o amor do país pelo futebol. Dessa forma, a Nike promoveria os seus produtos e se afastaria de qualquer cunho político que possa afetar as vendas.

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