She Rocks: o novo podcast do Rock In Rio sobre indústria da música e gênero
- Coberturas Especiais
- 25 de ago. de 2022
- 3 min de leitura
Por: Jullia Santarém e Carolina Maia

Reprodução: Spotify
She Rocks é o primeiro podcast oficial do festival Rock in Rio em parceria com a operadora TIM. A produção busca discutir sobre a presença feminina no meio musical e do entretenimento. Os episódios são comandados por Gaía Passarelli e Renata Simões, que recebem convidadas do meio para falar sobre o mercado e suas experiências. Ao todo já são seis episódios disponíveis, além de uma playlist construída por músicas sugeridas pelas participantes.
A ideia do projeto surgiu na observação de dados relativos à representatividade da mulher na indústria da música. Uma das pesquisas utilizadas para mediar essa discussão foi a da União Brasileira de Compositores, que, em 2021, relatou que as mulheres receberam apenas 9% do total distribuído em direitos autorais no país. Esse é um dos indicadores que demonstra a atual situação do mercado de música brasileiro feminino e a relevância para discussão do assunto.
Toda terça feira, até o mês de outubro, será disponibilizado um novo episódio do podcast. Até agora a produção já contou com a presença de personalidades artísticas de diversas regiões do país, estilos musicais e experiências pessoais diferentes. O debate é construído em cima da vivência e representatividade que cada uma simboliza. Já participaram até o momento Luisa Sonza, Roberta Medina, Aila, Keila, Guta Braga, Erika Lôbo, Majur, Bia Ferreira, Ella de Vuono e Ana Cavalcante.
Como um dos maiores festivais de música do mundo, o Rock In Rio buscou usar de seu alcance para dar visibilidade a artistas mulheres e apoiar o processo de transformação da indústria musical. Keila, artista da amazônia, fez parte do segundo episódio do podcast e trouxe a representatividade autêntica do tecnobrega, do qual faz parte há 10 anos. A cantora saiu de uma banda em 2017 e recebeu duras críticas em relação ao futuro de sua carreira e até um apelido usado de forma pejorativa para criticar o estilo da artista. “Eu fui muito subestimada e até hoje sou. A galera subjuga muito e isso me serviu como um dos maiores propulsores para ganhar força e mostrar que eu posso e sei o que estou fazendo”, relata a artista.
Comentários que buscam desmerecer a produção dessas mulheres foi algo em comum relatado nos podcasts; Mensagens de ódio, apelidos, tudo em busca de desvalorizar o trabalho das artistas. Luisa Sonza, participante do primeiro episódio, também comentou sobre como sofreu com os comentários e adjetivos dados a ela, e como foi o processo de entender que era uma questão social. “Primeiro eu comecei a me moldar para o que a sociedade achava que era certo. Quando eu vi que não fazia efeito nenhum e quando entendi que nada mais calava isso, comecei a ver que o problema não era comigo”, comenta a cantora.
Na construção da nossa sociedade a mulher sempre foi posta à prova e seu trabalho julgado ou diminuído. Bia Ferreira fez parte do quinto episódio do podcast e fala sobre sua experiência de viver da música sendo uma mulher preta e construindo um estilo de música que ela mesma batizou de MMP, Música de Mulher Preta. Ela busca o desconforto em pautas importantes como LGBTfobia, anti-racismo e feminismo. “Eu tento sempre estudar o que eu to fazendo, falando, porque a palavra de mulher preta é sempre questionada. Eu preciso ter uma base para um não questionamento, eu preciso mostrar que eu sei exatamente o que eu to falando para que as pessoas deem credibilidade para aquilo que eu to fazendo”, diz Bia.
O She Rocks é uma mistura de ritmos, vivências e discussões necessárias que englobam a indústria da música no país. Durante as apresentações do dia 11 de setembro, o Rock In Rio irá continuar o apoio às figuras femininas da música e compôs 100% do line-up de alguns palcos da Cidade do Rock (Palco Mundo, Sunset, New Dance Order, Espaço Favel e Supernova), com artistas mulheres.



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