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40 pessoas morreram vítimas de violência política no Brasil em 2022

  • coberturasespeciai
  • 25 de set. de 2022
  • 2 min de leitura

A divergência político-partidária tem gerado diversos atos de violência neste período eleitoral


Por: Carolina Maia, Jullia Santarém e Mateus Rizzo.


Foto: Reprodução Extra Online - Globo


A maneira como os eleitores estão reagindo à disputa política no Brasil construiu um ambiente agressivo no país. Segundo o Observatório da Violência Política e Eleitoral da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (OVPE-Unirio), só neste ano, 40 pessoas morreram vítimas de violência política no Brasil. Os acontecimentos são motivados por diferenças ideológicas que têm atingido, majoritariamente, eleitores que defendem o Partido dos Trabalhadores (PT).


A cientista política, Cristiane Romeo, faz uma comparação da disputa eleitoral a um campeonato de futebol, no qual os eleitores passam a “torcer” por seu candidato e se tornam fiéis a ele, como um time. “A gente caminha para uma eleição Fla X Flu, ou seja, se um ganha o outro evidentemente perde” diz Cristiane. A disputa entre a direita e a esquerda política tem criado um ambiente polarizado, e seus apoiadores têm apresentado uma conduta de repressão daqueles que pensam diferente, fazendo uso da violência.


No dia 10 de julho, Marcelo Arruda, membro da diretiva do PT em Foz do Iguaçu, foi morto por um bolsonarista durante a comemoração de seu aniversário com a temática em homenagem a Lula e seu partido. Segundo relatos, o assassino invadiu a festa gritando o nome do presidente Jair Bolsonaro e “avisou que voltaria”. No seu retorno, se iniciou um conflito de troca de tiros. Marcelo até conseguiu revidar os disparos mas acabou morto.


Entre os casos mais recentes, no dia 7 de setembro, no município de Confresa/MT, o bolsonarista Rafael Silva de Oliveira, de 24 anos, matou a facadas o petista Benedito Cardoso dos Santos, de 42 anos. De acordo com a Polícia Civil, durante a briga, Benedito teria dado um soco no queixo de Rafael, que revidou o golpe. Em seguida, Benedito teria pego uma faca — logo tomada de suas mãos por Rafael. A vítima levou 15 facadas e quase foi decapitada. Rafael confessou o crime e está preso.


Ainda em setembro, aconteceu uma confusão em São Gonçalo, no dia 9, que começou quando o bolsonarista, Rodrigo Duarte, reduziu a velocidade enquanto dirigia ao som de vaias de apoiadores do ex-presidente. Um deles chegou a dar um tapa no carro. Após sair do veículo, Rodrigo teve seu aparelho celular roubado e levou um soco de um cabo eleitoral de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).


A cientista defende o respeito às diferentes opiniões partidárias em razão do bom convívio social. “A sociedade brasileira tem tomado para si questões políticas sem entender que a política é apenas um dos rumos importantes da nossa vida. As relações sociais têm uma outra dinâmica. Eu não posso desrespeitar um colega de trabalho porque ele não vota como eu.” argumenta Romeo.


Cristiane acredita que um dos motivos da violência política ter estourado no país é devido ao fato dos brasileiros não possuírem uma tradição política consolidada. “Infelizmente, como o Brasil não tem uma prática de vivência política muito antiga, as pessoas estão começando a vivenciar a política agora e essa polarização não se dá em termos estritamente políticos, ela vai tomando ambientes sociais e familiares, e isso não é uma coisa boa” conclui.



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