top of page

“Aceitarei o resultado das eleições, desde que sejam limpas e transparentes", diz Bolsonaro

  • Coberturas Especiais
  • 23 de ago. de 2022
  • 4 min de leitura

Jair Bolsonaro (PL) é o primeiro entrevistado de série de sabatinas com os presidenciáveis, no Jornal Nacional.


Por: Carolina Maia e Leonardo Marchetti



Reprodução/TV Globo


Os primeiros dez minutos da entrevista com o presidente foram focados nas urnas eletrônicas. Jair Bolsonaro (PL), que em 2018 foi eleito pelo mesmo processo eleitoral, continua a questionar a confiabilidade das urnas. Após ser perguntado por William Bonner se aceitaria o resultado das eleições, seja qual for, Bolsonaro afirmou respeitar a conclusão das urnas com uma condicionante: "desde que as eleições sejam limpas e transparentes". O presidente e candidato à reeleição, apresentou um comportamento moderado e menos incisivo - postura diferente da que é conhecido - comparado a entrevista para o Jornal Nacional, em 2018.

Jair Bolsonaro entrou na política em 1989, quando o conhecido “centrão” já existia no cenário político. Ao longo da carreira, Bolsonaro foi filiado ao PSC, PP E PSL, todos partidos considerados do centro. Em 2018, durante a campanha, além de prometer propor ao Congresso uma medida que acabaria com a reeleição dos presidentes, Bolsonaro disse que não se aliaria ao centrão. Questionado sobre a fala, o candidato disse que Bonner estava “estimulando ele a ser ditador”, pois, sem o centrão não há governabilidade.



PANDEMIA


Sobre a pauta da pandemia, William Bonner questionou a forma como o candidato e atual presidente conduziu a situação. Ao longo da entrevista, Bolsonaro afirmou que “as pessoas se contaminaram mais dentro de casa do que na rua” e finalizou dizendo que “o lockdown só serviu para atrapalhar a economia e contribuir com a infestação do vírus”.

Ao ser questionado sobre a tragédia em Manaus, Bolsonaro disse que o governo lidou muito bem com a situação e que “em menos de 48 horas os cilindros já estavam chegando em Manaus”. O município, entretanto, ficou 9 dias sem oxigênio nos hospitais.

“Nos momentos mais dramáticos, o senhor imitou pessoas com falta de ar e desestimulou a vacinação”, disse a jornalista Renata Vasconcellos a Bolsonaro. Quanto a isso, o candidato desviou da pergunta, apresentou dados sobre a compra de vacinas e negou ter imitado pessoas com falta de ar. Após a sabatina, os vídeos que comprovam que Bolsonaro imitou pessoas com falta de ar (06 e 18 de maio de 2021) retornaram às redes.



ECONOMIA


Em comparação com o governo anterior, a gestão de Bolsonaro conseguiu dobrar a taxa de juros básica e a inflação, além do dólar ter dado um salto de quase R $2,00. Com variáveis como a pandemia e o conflito entre a Ucrânia e a Rússia, o candidato afirmou que o Brasil é o sétimo país mais digitalizado do mundo e uma das poucas economias que está operando em deflação atualmente. Sobre o plano de governo, caso reeleito, Bolsonaro não respondeu, mas vangloriou as “vacinas” que ele e Paulo Guedes criaram na economia. Segundo Bolsonaro, em 2019 as "vacinas” foram as reformas: previdenciária e Lei de Liberdade Econômica. Além disso, Bolsonaro afirmou que seu governo teve um saldo de 3 milhões de empregos, entre 2020 e 2022.



MEIO-AMBIENTE


Bolsonaro afirmou que existe abuso por parte do Ibama nas fiscalizações da Amazônia e que o órgão não age de forma correta nas medidas que deveriam ser tomadas no local. Ele cita o exemplo dos tratores, usados para derrubada de árvores na região. O presidente declarou que a lei permite a queima destes tratores apenas caso não seja possível a retirada dos mesmos do local. Ele afirma que o abuso por parte do Ibama consiste em atearem fogo nos equipamentos, mesmo que a retirada destes fosse possível.

Bonner e Renata então questionam o porquê de Bolsonaro estar defendendo esses equipamentos, cuja utilidade é a derrubada das árvores. O candidato afirmou, então, que age apenas de acordo com a lei.



EDUCAÇÃO


“Muitas vezes quando a pessoa chega, a gente vê que ela não leva jeito”, disse Jair Bolsonaro sobre os 5 ministros que passaram pelo comando da educação no país. Ele concordou que a alta rotatividade é prejudicial para a credibilidade de seu governo, mas afirmou que “essas coisas acontecem”.



Os ministros que passaram pelo ministério da educação

● Ricardo Vélez Rodríguez (janeiro a abril/2019): caiu após 3 meses, pois pediu que professores gravassem slogans de campanha do presidente nas escolas.

● Abraham Weintraub (abril/2019 a junho/2020): saiu do Brasil após ter insultado ministros do Supremo Tribunal Federal.

● Carlos Alberto Decotelli (junho/2020): chegou a ser anunciado mas não tomou posse, pois forjou o currículo.

● Milton Ribeiro (julho/2020 a março/2022): envolvido em um escândalo de corrupção com pastores.

A rotatividade nos ministérios da gestão Bolsonaro não se restringe apenas ao ministério da educação. Durante a pandemia, cenário que depende de uma boa gestão na pasta da saúde pública, quatro ministros passaram pelo cargo em um período de 2 anos.



POLÍTICA


Ao ser questionado sobre o envolvimento com o Centrão e de que forma isso irá afetar a sua confiabilidade perante os eleitores, Bolsonaro acusou Bonner de estimulá-lo a ser ditador: "Você está me estimulando a ser um ditador. O centrão possui 300 parlamentares e se eu não governar com eles, vou governar com quem?”. A contradição se dá pelo motivo de que o presidente, quando ainda candidato em 2018, afirmou que não se aliaria ao centrão. Bonner chegou a lembrar a paródia que o general Augusto Heleno cantou em uma convenção do então partido de Jair Bolsonaro, em 2018: “se gritar pega centrão (substituindo por 'ladrão’) não fica um, meu irmão”.



MINUTO FINAL


Nas considerações finais, o candidato afirmou que o seu mandato passou por momentos difíceis como a pandemia, a guerra na Ucrânia e uma grande seca no país, mas que, apesar disso, o governo fez o possível para que a população brasileira sofresse o menos possível. Bolsonaro também citou a queda do preço do combustível, a criação do Auxílio Brasil de R$600 destinado a 20 milhões de brasileiros e se orgulhou da transposição do rio São Francisco, que levou água para o nordeste. Segundo a apuração da jornalista Camila Bonfim (Globonews), os aliados do presidente Jair Bolsonaro afirmaram que o candidato sobreviveu à entrevista. Ainda é cedo para avaliar se a sabatina obteve resultados positivos ou negativos para o candidato, fato é que a entrevista repercutiu bastante nas redes sociais e na cobertura jornalística.




Comentários


bottom of page