Debate presidencial é marcado por ataques, discussão nos bastidores e esquiva nas respostas
- Coberturas Especiais
- 29 de ago. de 2022
- 5 min de leitura
Band realiza o primeiro debate presidencial de 2022, com os seis candidatos mais bem colocados nas pesquisas de intenção de votos.
Por: Heitor Leite, Leonardo Marchetti, Lucas Moll e Thays Bastos

Foto: Renato Pizzutto/Band
Todos esperavam por um embate entre os dois candidatos mais bem colocados nas pesquisas de intenção de votos, mas as discussões mais acaloradas foram entre Lula (PT) e Ciro Gomes (PDT). Simone Tebet (MDB) protagonizou os ataques à gestão de Jair Bolsonaro e afirmou que assim como existiu corrupção no governo vigente, também existiu no governo petista. Dois dias antes do primeiro debate presidencial, Jair Bolsonaro (PL) já previa ser “fuzilado” pelos oponentes. Horas antes do início do confronto, que ocorreu no último domingo (28), na Band, o presidente disse que não apertaria “mão de ladrão” - ao se referir ao ex-presidente Lula (PT) - e que não faz um media training desde 2018, pois só tem a oferecer "verdades”.
A jornalista Juliana Rosa (Band) foi a primeira a perguntar aos presidenciáveis. O questionamento foi direcionado a Soraya Thronicke (União Brasil) e Felipe D’Avila (Novo). Os candidatos, com os menores números nas pesquisas de intenção de votos, não responderam a pergunta e focaram em se apresentar ao público que assistia. A segunda pergunta, endereçada ao presidente da república, foi feita pelo apresentador e jornalista Eduardo Oinegue, que levantou a questão sobre a harmonia entre as instituições. Jair Bolsonaro insistiu em atacar o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, e lembrou o caso de Daniel Silveira, dizendo que a imunidade parlamentar do deputado dava liberdade para ele falar o que quiser.
O tema sobre mulheres foi um dos mais abordados durante o debate, que durou quase 3 horas. Simone Tebet defendeu sua promessa quanto à paridade de gênero em seus ministérios e atacou a falta de representatividade feminina no governo Bolsonaro.
Primeiro bloco
O primeiro bloco foi marcado pelo primeiro embate direto entre os candidatos. Jair Bolsonaro foi o primeiro a escolher quem responderia suas questões, e, como esperado, direcionou ao ex-presidente Lula. Corrupção foi o tema que o presidente escolheu abordar e, entre outras falas, disse que o governo do petista foi o mais corrupto da história. Lula se defendeu e disse que o governo do PT deveria ser lembrado pelo alto investimento na educação, mas desviou sobre a questão da corrupção na gestão petista.
O segundo a escolher foi Ciro Gomes, que direcionou sua pergunta a Bolsonaro. O candidato do PDT questionou a fala do atual presidente sobre não haver fome no Brasil. Bolsonaro respondeu que o governo atendeu os necessitados e justificou apontando o valor do Auxílio Brasil. O pedetista contra-argumentou que 33,1 milhões de brasileiros estão em situação de fome e 125 milhões não fazem as três refeições diárias. O presidente retrucou dizendo que, para sanar isso, basta a pessoa se inscrever no programa do Auxílio e receber os R $600,00 por mês.
Segundo bloco
Com as perguntas realizadas por jornalistas do pool (Folha de SP, Uol, TV Cultura e Bandeirantes), o primeiro a perguntar foi um jornalista da Band, que escolheu o tema Auxílio Emergencial. Bolsonaro comparou o valor dado pelo benefício , disponibilizado no governo vigente, com o valor concebido pelo Bolsa Família, do governo Lula. A pergunta feita pela jornalista da TV Cultura e colunista do O Globo, Vera Magalhães, causou uma reação violenta de Jair Bolsonaro: “Você é uma vergonha pro Jornalismo brasileiro”. Após o ataque, a pauta sobre a luta das mulheres foi a mais abordada. O eleitorado feminino é o menor nas pesquisas de intenção de voto ao governo Bolsonaro. O presidente se defendeu dizendo que sancionou mais de 60 leis em defesa das mulheres, mas, de acordo com o Diário Oficial da União, há 41 normas direcionadas à população feminina, desde de janeiro de 2019. Além disso, nenhuma delas foi proposta pelo Poder Executivo e 21 foram apresentados pela atual legislatura, sendo 7 de autoria de parlamentares da base do governo. Patrícia Campo Mello, da Folha de São Paulo, também perguntou aos presidenciáveis. A jornalista também foi alvo de Jair Bolsonaro, em 2020, quando o presidente disse que Patrícia “queria dar o furo a qualquer custo”. Ano passado, o presidente foi condenado a indenizar a jornalista.
Terceiro bloco
Outro bloco marcado pelos embates diretos entre os candidatos, Simone Tebet direciona sua pergunta a Jair Bolsonaro. A candidata começou perguntando para o presidente sobre falas machistas e ataques ao feminismo.
O candidato do PL disse para a candidata "parar de mimimi” e afirmou que “grande parte das mulheres do Brasil” amam ele. Sobre o mesmo tema, o presidente focou em mostrar projetos direcionados ao público feminino, se desculpou pelo caso onde disse que o nascimento de sua própria filha foi fruto de uma “fraquejada” e lembrou quando Ciro Gomes afirmou que a "importância" de sua ex mulher, a atriz Patrícia Pillar, era "dormir com ele (Ciro Gomes)”. O candidato do PDT também se desculpou sobre este assunto.
Considerações finais
Em suas considerações finais, Lula citou a escolha por Geraldo Alckmin: “Sei o que fiz e sei o que vou fazer”, disse. Além disso, o ex-presidente falou que o atual governo é medíocre no quesito de obras públicas e finalizou se solidarizando com a jornalista Vera Magalhães e a candidata Simone Tebet, atacadas por Bolsonaro durante o debate.
Bolsonaro disse que as eleições estão polarizadas e usou o resto de seu tempo criticando o candidato do PT - a quem se refere como “ex-presidiário”. O ex-presidente respondeu que está “mais limpo que os parentes” da família de Jair Bolsonaro.
Já Ciro Gomes pediu uma oportunidade para mudar o cenário do Brasil. “É deprimente o nosso país ficar debatendo quem é mais corrupto, quem é menos corrupto”, afirmou.
Em suas considerações finais, a candidata Soraya Thronicke finalizou dizendo: " Chega de briga e de confusão, o Brasil precisa de paz, de união, precisa de alguém que cuide das pessoas”.
Na consideração final de Simone Tebet, ela manteve uma posição de criticar tanto Lula, quanto Bolsonaro, afirmando: “Triste para o Brasil ter que escolher entre o escândalo do petrolão e do mensalão do PT, ou escândalo da educação e do orçamento secreto do atual governo”.
Luiz Felipe d'Avila usou seu tempo final para rechaçar sua visão de um Estado sem interferência na economia. Ele afirmou que “só tem um jeito de economia crescer: é tirar o poder do Estado e dar o poder para quem empreende”.
Para colunistas e jornalistas que acompanharam a transmissão e analisaram a atuação dos concorrentes, Simone Tebet foi quem mais se destacou, seguida pela candidata do União Brasil, Soraya Thronicke.
Bastidores do debate
No lounge criado pela Band para jornalistas e políticos, houve algumas discussões. O deputado André Janones (Avante-MG) e o ex-ministro do Meio Ambiente de Bolsonaro, Ricardo Salles, candidato à Câmara dos Deputados por São Paulo, discutiram e quase trocaram socos. Foi preciso a intervenção de assessores e seguranças para afastar os dois, que, aos gritos, xingavam de "miliciano" e "corrupto". O motivo da briga foi a reação da comitiva que acompanhava o presidente e candidato à reeleição, Jair Bolsonaro (PL), em uma de suas falas ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A confusão começou logo na primeira pergunta do debate. Enquanto Lula respondia à pergunta de Bolsonaro sobre corrupção, bolsonaristas vaiaram e gritaram palavras como "ladrão", encobrindo a fala de Lula. O deputado e advogado Marco Aurélio de Carvalho levantou-se para pedir silêncio ao grupo de Bolsonaro e declarou que podiam vaiar, mas depois que a resposta terminasse, o que não estava acontecendo. Na sequência, Janones também se levantou e começou a discussão com Salles. A troca de insultos durou mais de um minuto. Em meio à confusão, membros da comitiva da candidata Soraya Thronike (União Brasil), sentada entre os dois grupos, começaram a gritar que eram "farinha do mesmo saco".
Na saída dos estúdios da TV Bandeirantes, Jair Bolsonaro voltou a atacar Lula, dizendo que ele “mentiu igual um condenado”. Em caso de um segundo turno, o próximo debate na Band está previsto para acontecer no dia 09/10.



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