"Eu vou voltar a governar esse país para fazer as coisas melhor do que eu fiz"
- Coberturas Especiais
- 27 de ago. de 2022
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O ex-presidente expressou muita confiança durante a entrevista e demonstrou orgulho pelas conquistas do governo do PT, mas frisou que há melhorias a serem feitas no caso de um novo mandato.
Por: Carolina Maia e Jullia Santarém

Reprodução/TV Globo
Terceiro entrevistado pelo Jornal Nacional da TV Globo, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) admitiu pela primeira vez que houve corrupção nos governos do partido. Para Lula, "você não pode dizer que não houve competição se as pessoas confessaram”. O candidato reconheceu que o Governo Dilma cometeu erros na economia e nos preços dos combustíveis, assunto que o PT sempre evitou comentar. Em 40 minutos da sabatina, Lula criticou a gestão Bolsonaro e afirmou que pretende governar sem ódio, caso seja eleito pela terceira vez. “Vou voltar a governar esse país, se o povo assim permitir, para fazer as coisas melhor do que eu fiz”, disse.
Lula não se recusou a responder às perguntas de William Bonner e Renata Vasconcellos, mas deixou de apresentar propostas mais objetivas para a economia, política internacional e educação. “Eu vou fazer uma reunião com os 27 governadores para saber quais são as obras prioritárias de cada estado, e esse país vai voltar a andar”.
Corrupção
Lula relembrou ações de políticas públicas elaboradas durante o seu governo e disse que “a corrupção só aparece quando você permite que ela seja investigada”, ou seja, que pretende continuar criando novos mecanismos que possibilitem investigar qualquer delito ligado à máquina pública. O ex-presidente demonstrou indignação quanto à corrupção no país, mas não apresentou novas políticas públicas concretas para impedir que a situação se repita.
Economia
Na economia, Lula reconheceu que Dilma Rousseff cometeu o que chamou de “equívocos” no preço da gasolina e na concessão de quase R$500 bilhões de benefícios fiscais para as empresas. “Eu acho sim, que a Dilma cometeu equívoco na questão da gasolina e quando fez R$ 540 bilhões de desonerações e isenções fiscais de 2011 a 2040". O ex-presidente evitou revelar se o seu possível terceiro mandato seguirá o modelo econômico da sua primeira gestão entre 2003-2005.
O candidato defendeu ainda que a economia seja pautada por princípios que, segundo ele, são essenciais para o desenvolvimento do país: credibilidade, previsibilidade e estabilidade. “Credibilidade é porque você tem que garantir que as pessoas acreditem no que você fala, previsibilidade é porque ninguém pode ser pego de surpresa, dormindo. com mudança do governo e estabilidade é para você convencer os empresários privados do Brasil e os empresários estrangeiros saibam que têm estabilidade para fazer investimentos aqui dentro.”
A questão “Alckmin”
Ao ser questionado sobre a aliança inusitada com Geraldo Alckmin (PSB), Lula explicou que foi a solução encontrada para melhor atender às demandas do povo brasileiro: "Nunca antes na história do Brasil esse governo teve uma chapa como Lula e Alckmin para ganhar credibilidade interna e externa para fazer as coisas acontecerem”. Ele defendeu uma política sem “amizade”, na qual os profissionais que ocupam cargos públicos não tenham que atender às necessidades do presidente, e sim, a do povo brasileiro.

Reprodução/TV Globo
Agronegócio
Lula atribuiu o distanciamento do grupo do agronegócio em razão das políticas do partido para a defesa do meio ambiente, e atacou a gestão do governo Bolsonaro sobre as terras do país. De acordo com o candidato, a preservação ambiental não agrada o setor, com exceção dos empresários com relação com o exterior que buscam cuidar das áreas: “Esses querem preservar os nossos rios, nossas águas, nossa fauna”, finalizou. O candidato ainda apresenta ideias sobre um aproveitamento sustentável: “Nós não precisamos plantar milho, soja, cana ou criar gado na Amazônia. O que nós precisamos é explorar corretamente e cientificamente a biodiversidade".
Movimento dos trabalhadores sem terra (MST)
O candidato defendeu o movimento do MST, que vem sendo acusado de invadir terras de fazendeiros, e afirmou que o movimento invade apenas terras improdutivas. “O MST está fazendo uma coisa extraordinária: está cuidando de produzir. O MST é o maior produtor de arroz orgânico do Brasil”, afirmou Lula.
Política internacional
Sobre sua falta de posicionamento quanto às ditaduras latino-americanas de esquerda, o ex-presidente destacou que para o serviço pleno de um democrata é preciso que haja respeito à autodeterminação dos povos e que “cada país deve cuidar do seu nariz”. Ele diz que é favorável à votação e que por isso está muito tranquilo quanto às suas relações internacionais. "Eu estou muito tranquilo com a minha relação internacional, aliás, eu vou te dizer uma coisa: se eu ganhar as eleições, você vai ver a enxurrada de amigos que estão desaparecidos que vão visitar o Brasil. O Brasil não tem contencioso internacional.”
Minuto final
Em seu minuto final, o ex-presidente trouxe novamente elementos do seu antigo mandato, e prometeu devolver ao povo brasileiro as condições existentes na época do seu governo. Ele ainda destacou uma preocupação especial com a educação e com as classes mais pobres. De acordo com ele, "Não existe nenhuma experiência de país que ficou rico sem investir na educação”.
O candidato citou dados sobre as famílias brasileiras que estão endividadas, e prometeu renegociar essas dívidas. "Nós temos quase 70% das famílias brasileiras endividadas, vamos negociar essa dívida com o setor privado e o sistema financeiro. Nós precisamos que o povo brasileiro volte a viver com dignidade”, disse o ex-presidente.



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