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O voto envergonhado e a espiral do silêncio no segundo turno das eleições

  • coberturasespeciai
  • 29 de out. de 2022
  • 2 min de leitura

Segundo o cientista político, Mateus Mendes, o segundo turno é caracterizado pela omissão de voto por parte dos eleitores.


Por: Julia Guimarães e Pedro Henrique Modesto


Foto: Antonio Augusto/TSE


Diante um segundo turno marcado pela polarização entre o ex-presidente e candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o atual chefe de governo Jair Bolsonaro (PL), ocorre a volta de pautas a serem discutidas, como a influência do voto envergonhado nas pesquisas e a teoria da Espiral do Silêncio.


O conceito do voto envergonhado consiste no medo dos eleitores de manifestar suas intenções de voto por medo de uma rejeição social, principalmente no momento atual marcado pela polarização política. De acordo com o mestre em ciências políticas e doutorando em economia política internacional, Mateus Mendes, a alta omissão dos eleitores está mais relacionada a um voto tímido, do que à abstenção. O resultado reflete nos problemas ao analisar as pesquisas eleitorais, comparando com os resultados do primeiro turno.


Para Mateus, há um comportamento novo marcado por um processo em que a extrema direita avança, porém as pesquisas não conseguem constatar. Sendo assim, a maioria das teorias que tentam explicar a discrepância das pesquisas com os resultados eleitorais acabam esbarrando em alguns problemas.


A teoria da Espiral do Silêncio, publicada pela alemã Noelle-Neuman, é uma das tentativas de explicar o voto envergonhado. Os indivíduos optam por esconder, ou mudar sua opinião por medo do isolamento social no meio em que convivem. A última pesquisa do Ipec mostrava as intenções de voto válidos entre o candidato Luiz Inácio Lula da Silva, com 51%, e o candidato à reeleição Jair Messias Bolsonaro, com 37%. A margem de erro era de dois pontos percentuais para mais, ou para menos. O resultado final foi de 48% dos votos para Lula, e 43% para Bolsonaro.


As principais pesquisas do país como o Ipec, Quest e Datafolha utilizam de métodos científicos para que a amostra de pesquisa transpareça a real intenção de voto dos brasileiros, com recortes de gênero, etnia, escolaridade e outras variáveis. A coleta é baseada no censo do IBGE de 2010, o que configura uma população diferente da atual, com doze anos de diferença, e dois anos de pandemia.


Um dos principais fatores para o silêncio dos eleitores é o alto índice de rejeição de ambos os candidatos. De acordo com a pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira (27), Bolsonaro acumula um índice de rejeição de 50%, enquanto Lula é rejeitado por 45%. Os polêmicos discursos do atual presidente e os escândalos de corrupção durante os governos do PT favorecem o aumento do silêncio e do voto envergonhado.


Em um parâmetro geral, as pesquisas feitas durante o primeiro turno obtiveram um certo êxito, já que nenhuma delas previa que o candidato Lula (PT) ganharia no primeiro turno, fora as margem de erro; como também não afirmavam o candidato Ciro Gomes (PDT) disputando no segundo turno.


Durante a última pesquisa realizada pelo Ipec, o ex-presidente Lula tinha 54% dos votos válidos enquanto o presidente Bolsonaro registrava 46%. A margem de erro é de 2 pontos porcentuais. Em comparação a última pesquisa realizada no primeiro turno, o petista permanece à frente de Bolsonaro, mas com uma diferença acirrada, o que pode ter sido influenciada pelos votos indecisos e a declaração de apoio dos antigos candidatos


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