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Primeiro debate do segundo turno é marcado por acusações de fake news e corrupção

  • coberturasespeciai
  • 17 de out. de 2022
  • 6 min de leitura

TV Bandeirantes, TV Cultura, UOL e Folha de S. Paulo realizaram em conjunto o primeiro debate presidencial do segundo turno, no último domingo (16)


Por: Eduardo Gama, Lucas Moll e Pedro Modesto


Foto: Nelson Almeida/AFP


Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Jair Messias Bolsonaro (PL) participaram do primeiro debate entre presidenciáveis do segundo turno das eleições, neste domingo (16). O encontro, organizado em formato de pool pela TV Bandeirantes, TV Cultura, UOL e Folha de S. Paulo, foi marcado pelas acusações de fake news e corrupção pelos dois candidatos. O evento foi realizado duas semanas antes da votação para presidente, definida para o dia 30 de outubro.


O clima pré-debate começou tenso para Jair Bolsonaro. No final de semana, viralizou uma fala do candidato afirmando que “pintou um clima” entre ele e meninas venezuelanas de 14 anos. O atual Presidente chegou a comentar que viveu “as piores 24 horas de sua vida”, em entrevista dada por ele na chegada aos estúdios da Band.


Nas redes sociais, havia uma expectativa por parte do eleitorado de Lula de que ele usasse a declaração de Bolsonaro para confrontá-lo. No entanto, horas antes do debate, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), proibiu o PT e aliados de explorarem essa pauta. Apesar disso, o petista usou um broche da campanha “Faça bonito: proteja nossas crianças e adolescentes”, de combate a violência sexual contra menores, em sutil menção à polêmica do adversário.


Para evitar confusões e transtornos, como aconteceu no primeiro encontro do primeiro turno, a plateia ficou dividida por meio de catracas e seguranças. No lado esquerdo, estavam apoiadores de Lula; e no direito, os de Bolsonaro. O debate foi dividido em três blocos: em alguns momentos, o confronto era direto, com cada um tendo 15 minutos de tempo para usar. Eles também responderam a perguntas de jornalistas dos veículos que integram o pool.


Primeiro Bloco


O primeiro bloco deu liberdade para os dois candidatos se enfrentarem, sem pauta previamente definida, durante 15 minutos, que eram administrados livremente por cada um. A primeira discussão foi sobre o Auxílio Brasil, em que Bolsonaro atacou o PT. O atual presidente afirmou que o partido votou contra o projeto e que “não pensam nos mais pobres”. Ao rebater, Lula disse que a sigla já havia proposto desde o início da pandemia um auxílio de mais de R$ 400, enquanto o atual presidente anunciou apenas R$ 200. O valor do auxílio só foi definido em R$ 600 após pressão da oposição, segundo o petista.


A pandemia foi um dos embates mais marcantes e ocupou quase todo o primeiro bloco. Lula citou que 11% das mortes pela pandemia no mundo foram no Brasil e questionou se Bolsonaro não se sente responsável por isso. O atual presidente teve dificuldades para entrar nessa discussão e tentou mudar de assunto, chegando a afirmar que “a história dirá quem está com a razão”. Ainda sobre a covid-19, o petista criticou seu adversário por ter ido ao enterro da Rainha Elizabeth II, na Inglaterra, enquanto ignorou as famílias que perderam vítima para covid no Brasil.


Outra discussão feita foi sobre infraestrutura. Na tentativa de se aproximar do eleitorado nordestino, Bolsonaro disse que Lula negou água ao Nordeste e que “não fez nada pelo Brasil”. O ex-presidente argumentou que foi ele o responsável por 88% da transposição do Rio São Francisco, enquanto o adversário fez apenas 3,5%. O petista também respondeu que “Bolsonaro nunca fez um discurso contra o governo Lula na época de deputado”. “No fundo, ele sabe que eu fui o presidente que mais fez investimentos nesse país e que cuidou das Forças Armadas”, disse.


Em seguida, Bolsonaro introduziu o assunto de segurança pública. O presidente insinuou que Lula possui afinidade com bandidos e o acusou de ter 4 votos a cada 5 nos presídios, além de falar que ele “estava cercado de traficantes, sem nenhum policial”, durante sua visita ao Complexo do Alemão, no Rio, no dia 12 de outubro. O petista negou qualquer relação e afirmou que Bolsonaro tenta criminalizar os moradores das comunidades, taxando-os como “bandidos”. Lula também aproveitou para explorar a relação de Bolsonaro e seus filhos com milicianos.


Segundo Bloco


O segundo bloco do debate foi um rodízio de perguntas feito por jornalistas para os candidatos, em que os presidenciáveis abordaram temas como: preços dos combustíveis e privatizações, propostas para mudar a composição do STF, fake news e a relação de Lula e Bolsonaro com o centrão.


A primeira pergunta foi feita pela jornalista Vera Magalhães, que questionou sobre o aumento de vagas no Supremo Tribunal Federal (STF). O primeiro a responder foi Lula, que se colocou contra e também falou sobre a importância de nomear ministros pela competência, não pela amizade ou relação pessoal. Bolsonaro também se colocou contra o aumento e recordou que a proposta de aumentar o número de ministros teria sido apresentada, inicialmente, pela deputada federal Luiza Erundina, do PSOL, em 2013.


O questionamento seguinte foi feito pelo jornalista Rodolfo Schneider, que abordou temas como a política de preços dos combustíveis e a privatização da Petrobras. O primeiro a responder foi Bolsonaro, que citou a redução do teto do ICMS e também a recente queda no preço da gasolina. Lula afirmou que pretende estimular o refino da gasolina em solo brasileiro e declarou ser contra a privatização da empresa.


A jornalista Patrícia Campos Mello, terceira a perguntar, questionou se os candidatos se comprometem a combater a fake news. Bolsonaro não respondeu a pergunta e acusou o ex-presidente de estar mentindo em sua campanha eleitoral. Lula, por sua vez, afirmou que Bolsonaro possui 36 processos em seu programa de TV por fake news, e relembrou que nunca viveu uma situação como essa em outras campanhas em que participou, pois, segundo ele, “o nível era outro”.


Na última pergunta do bloco, feita pelo jornalista do UOL, Josias de Souza, foram abordados dois escândalos na gestão dos presidenciáveis: o Petrolão, durante o governo Lula, e o caso do orçamento secreto no governo de Jair Bolsonaro, relacionados à compra de votos do centrão. O atual presidente negou o envolvimento com o caso, afirmando que nunca comprou votos de parlamentares. Lula falou em criar um orçamento participativo, em que a população teria colaboração nas decisões do destino do orçamento e de políticas públicas.


Terceiro Bloco


No terceiro bloco, os candidatos responderam a última pergunta, referente às ações que o governo deverá tomar para combater a defasagem educacional que o Brasil enfrenta devido à pandemia.


Lula disse que, se eleito, sua primeira ação será convocar uma reunião com todos os governadores do país, junto a seus prefeitos, para discutir uma maneira de recuperar as aulas perdidas durante a pandemia. O petista também mencionou possíveis convites para os professores trabalharem até aos finais de semana para repor as aulas.


Bolsonaro disse que seu atual governo já possui medidas para essa questão, citando o "GraphoGame", aplicativo do Ministério da Educação com o objetivo de auxiliar o estudante. Também durante a resposta, Bolsonaro criticou o governo de Lula ao pontuar que as crianças levam três anos para serem alfabetizadas, diferente de seu governo, em que, segundo ele, o processo leva apenas seis meses.


Em seguida, os candidatos voltaram ao confronto direto e com temas livres. O debate seguiu marcado por ataques entre os candidatos com a presença de pautas como a corrupção, privatização da Petrobras e desmatamento.


Lula utilizou seu tempo para abordar os pontos abordados por Bolsonaro, como o Petrolão e o preço do petróleo atual. O petista recordou a transformação da Petrobras na segunda maior empresa de energia do mundo durante seu governo. Além disso, defendeu a transparência de seu mandato e criticou os sigilos impostos pelo atual presidente, assim como os índices de desmatamento do governo atual. Lula se manteve nesses pontos durante quase todo o seu discurso e afirmou que, se eleito, irá pôr fim ao sigilo de 100 anos imposto por Bolsonaro.


Bolsonaro a todo momento resgatou a pauta de corrupção para atacar o governo do PT, citando a Petrobras. O presidente também apresentou as realizações de seu governo, como o Auxílio Brasil em R$ 600, e disse que os níveis de desmatamento durante a gestão de Lula foram superiores aos registrados em seu mandato. Bolsonaro utilizou os últimos 5 minutos para fazer ataques a Lula, acusando-o de querer “fechar igrejas” e resgatando o tema da corrupção.


Nas considerações finais, Bolsonaro defendeu a liberdade de expressão e atacou a “ideologia de gênero”, que não havia sido abordada durante o debate. Apontou que seu governo é contra as drogas e contra o aborto, afirmando que Lula é “favorável a essas pautas”. Já Lula chamou Bolsonaro de mentiroso, o acusou de atacar a democracia e disse que o atual mandatário tem sido negligente com a questão da pobreza e da fome, que aumentam constantemente no Brasil.




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