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Último debate do segundo turno é marcado por xingamentos e acusações

  • coberturasespeciai
  • 29 de out. de 2022
  • 7 min de leitura

Por: Beatriz Mattos, Júlia Bento, Júlia Guimarães e Luciana Campos


Reprodução via Debate/Globo



Luiz Inácio Lula da Silva, candidato do Partido dos Trabalhadores (PT), e Jair Messias Bolsonaro, do Partido Liberal (PL), participaram do último debate presidencial do segundo turno das eleições, nesta sexta-feira (28). O encontro entre os adversários foi marcado por xingamentos e ataques durante os cinco blocos. Os presidenciáveis aproveitaram a ocasião para, principalmente, defender realizações de seus governos, enquanto as propostas para uma nova gestão quase não foram apresentadas.


O debate foi dividido em cinco blocos, sendo dois com temas livres, dois com temas pré determinados, e o último com as considerações finais. Os candidatos podiam, durante os intervalos, se comunicar com os assessores presentes no estúdio. O encontro, mediado pelo jornalista e apresentador William Bonner e foi transmitido ao vivo pela emissora, pela GloboNews e pelo G1, diretamente dos Estúdios Globo, no Rio de Janeiro.

Primeiro bloco

O primeiro bloco foi marcado por tema livre, sem pauta previamente definida, com duração de 30 minutos. Cada candidato teve 15 minutos e administrou o respectivo tempo livremente entre perguntas, respostas, tréplicas e réplicas. A parte inicial foi determinada por acusações de fake news e corrupção pelos dois candidatos à presidência. Jair Bolsonaro abriu o bloco através do sorteio feito antes do debate.


A primeira discussão foi sobre o salário mínimo, em que o candidato do PL atacou o partido do PT e tentou explorar suas diferenças com o adversário. “Em 2019, um Brasil com sérios problemas éticos, morais e econômicos, em grande parte herdado do governo do PT, mas mesmo assim, com pandemia, com falta d’água, nós concedemos reajustes para os aposentados e majoramos o salário mínimo". Como resposta, Lula defendeu seu governo e pontuou dados para proteger seu argumento: “a verdade nua e crua é que o salário dele hoje é menor do que quando ele entrou. Durante meu governo, eu aumentei o salário mínimo em 74% e ele não aumentou o salário, ele apenas concedeu a inflação”.

Em seguida, os candidatos apontaram as mentiras nas campanhas eleitorais do adversário. Lula apontou a quantidade de fake news praticada por Bolsonaro em seu governo: “o povo brasileiro sabe quem é mentiroso. Ele mentiu 6.489 vezes durante seu mandato, só no programa de televisão, nós ganhamos 60 direitos de respostas por conta das mentiras dele. O povo sabe que você prometeu muita coisa que você não cumpriu.” O atual presidente, como direito de resposta, defendeu seu partido e afirmou que o sistema está contra ele e pediu para o candidato do PT parar de mentir para o povo brasileiro.


Segundo bloco


O segundo bloco do debate teve 20 minutos de duração, dividido em duas etapas de 10 minutos, com seis temas, definidos pela TV Globo, para escolha. Cada candidato teve 5 minutos para debater o assunto escolhido, entre perguntas, respostas, réplicas e tréplicas. Lula iniciou as perguntas e escolheu o tópico “combate à pobreza”, em que questionou o presidente Jair Bolsonaro do porquê da população brasileira ter ficado tão miserável e empobrecida, depois que assumiu a presidência. Bolsonaro disse que, segundo dados do Ipea, em 2019 havia 5,1% de pessoas em extrema pobreza e, mesmo com a pandemia, houve uma diminuição da porcentagem para 4%.


Ainda usando os 5 minutos disponíveis para perguntas, o ex-presidente Lula perguntou quando o atual presidente vai resolver o problema da fome no país, e reforçou que tem 33 milhões de pessoas passando fome, sem ter o que comer em casa. Bolsonaro usou o Auxílio Brasil como resposta, e afirmou pagar, no mínimo, 600 reais por mês para garantir a renda dos brasileiros em situação de pobreza. Em seguida, Bolsonaro disse que Lula é especialista em mentir e em “chutar” números. Falou também que toda a bancada do PT votou contra a criação do auxílio e afirmou que o Lula é favorável que o povo passe fome.


Nos minutos finais do candidato do PT, Lula reforçou que Bolsonaro reduziu o dinheiro dos aposentados e dos trabalhadores e que o ministro, Paulo Guedes, falou que iria acabar com o décimo terceiro e direito às férias da população. O atual presidente afirmou, no final de seus 5 minutos, a dificuldade em conversar com um elemento, se referindo ao ex-presidente Luiz Inácio, cuja máxima é mentir e enganar o tempo todo.


Na outra etapa do segundo bloco, Bolsonaro escolheu o tema “respeito à constituição" e, logo no início, acusou o Lula de defender a invasão de terras e propriedades. Em defesa, o candidato do PT afirma que, todos os dias, o presidente ameaça o ministro da suprema corte e desrespeita a constituição. Em seguida, Bolsonaro entra no assunto liberdade de expressão e cita o exemplo da rádio Jovem Pan, e afirma que quem entrou com uma ação, contra a rádio, foi o partido do PT. O ex-presidente acusa a rádio de ser o canal de televisão do presidente Bolsonaro e explica que a ação que os advogados, de seu partido, entraram foi um pedido de isonomia, direito de igualdade e resposta.


Jair Bolsonaro volta ao assunto propriedade privada e questiona o motivo da invasão de tantas propriedades privadas e produtivas, durante o mandato de Lula. Luiz Inácio afirma, durante os seus 5 minutos, que, em seus 8 anos de governo, disponibilizou 51 milhões de hectares de terra para os sem terra, contag e para os pequenos produtores. O candidato do PL afirma que o ex-presidente é um mentiroso e que usava essas pessoas para invadir terras, e diz que nos últimos 8 meses, de seu governo, entregou mais títulos da reforma agrária do que o Lula em 8 anos de mandato. No final do segundo bloco, Jair Bolsonaro acusa o Lula de ter falado que aborto é uma questão de saúde pública e o chamou de abortista. Luiz Inácio se defende negando ser a favor do aborto e diz respeitar a vida.


Terceiro Bloco


O terceiro bloco também teve temas livres e começou pelo candidato Luiz Inácio Lula da Silva, o maior destaque da terceira parte do debate foi o tema saúde. Com 15 minutos para cada candidato, assim como no primeiro quadro, a discussão passeou entre outros temas como corrupção e violência.


Em sua primeira pergunta, Lula questionou para Bolsonaro sobre a negligência quanto à pandemia e a diminuição da verba da farmácia popular. Bolsonaro se defende dizendo que “O orçamento é entre o executivo e o legislativo” e não cabe à presidência. Quanto à vacinação, alegou que seu governo comprou mais de 500 milhões de doses, e que no mesmo dia que a ANVISA autorizou, o governo Bolsonaro começou a vacinar do Brasil.


Mais da metade da terceira parte do debate foi dedicado à saúde. O presidente citou ainda a frase dita pelo candidato Lula durante a pandemia: "Graças a Deus que a natureza criou esse monstro chamado coronavírus”, e ainda citou que em seu governo Lula investiu em estádios, e não em hospitais para a copa do mundo de 2014. Lula respondeu que "ele não responde porque deve pesar na consciência dele, ele sabe que tem uma declaração do ministro da saúde que se ele tivesse seguido a orientação do governador do Nordeste, teria pelo menos 200 mil mortes a menos “. E concluiu (citar a parte do desumano)


Jair Bolsonaro citou o candidato a vice de Lula, Geraldo Alckmin (PSB), com o documento que definiu como as contribuições do político as propostas de governo do candidato Lula, como a taxação do pix, acabar com o abono, aumento da contribuição do MEI (Micro empreendedor), entre outras.


Quanto ao aliado de Bolsonaro, Lula citou Roberto Jefferson (PTB), ex-deputado federal, que foi preso na última semana por atirar, e jogar granadas em agentes federais. O político que é participativo na base bolsonarista, com ataques ao Supremo Tribunal Federal (STF), e defensor do porte de armas, foi chamado de bandido pelo presidente.


Com seis minutos faltantes, o debate se estendeu para o tema da violência, principalmente contra a mulher. Bolsonaro, que busca aumentar o apoio feminino em sua campanha, diz que atendeu as mulheres por meio do auxílio do Brasil, e em seu governo a taxa de feminicídio caiu. Os dois candidatos pediram dois direitos de resposta, que foram negados pela organizadora do debate



Quarto bloco


No último bloco de perguntas, Bolsonaro inicou questionando seu concorrente sobre a geração de novos empregos. Ele alegou que em seu governo criou empregos mesmo durante a pandemia do Coronavírus e que merecia parabéns por isso. O candidato do PT afirmou que vai trabalhar em conjunto com os governadores e prefeitos de cada estado para estabelecer um programa de desenvolvimento para o país: “Ficar de fora xingando todo mundo, ofendendo todo mundo, o Brasil não vai para frente assim”. Jair afirma que tem o apoio dos prefeitos já que ele repassou os recursos federais aos municípios.


Sobre o tema do desmatamento, Lula questionou “até quando o senhor vai continuar a política de desmatamento dos biomas brasileiros?”. O candidato à reeleição afirmou que no governo do PT eles desmataram mais que o dobro do que no governo dele. Após apresentar dados sobre a redução do desmatamento durante seus anos, o petista prometeu que vai acabar com as queimadas, invasão e garimpo em terras indígenas. Já Bolsonaro afirmou que o desmatamento não é só do meio ambiente, é também relembrou que o PT votou contra o marco do saneamento. Ele terminou afirmando que Lula não “fez nada lá atrás e também não vai fazer daqui para frente”. Em resposta, o acusado diz que “tudo que ele quer fazer, o PT já fez”. Nenhum pedido de resposta foi concedido durante o bloco.


Quinto bloco


Em seu um minuto e meio de considerações finais, o candidato Lula disse que, se depender do povo brasileiro, ele pode restabelecer a harmonia do país: “a cultura funcionava, a educação funcionava, o povo trabalhava, o salário aumentava durante o meu período de governo. E a gente pode reconstruir esse país”. Ao final, Lula disse esperar que o povo vote 13 para que ele faça o país crescer e o povo volte a comer bem.


Na sua vez, o candidato Bolsonaro disse que mais que escolher um presidente da república, o povo estará escolhendo o futuro da nação e se será “respeitada a família brasileira”. “Não queremos a liberação das drogas no Brasil, o outro lado quer defender as drogas. Nesse mundo nós respeitamos a propriedade privada, nós somos das cores da ordem e progresso.” Ele finalizou com seu slogan “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos”.




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