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Último debate presidencial é marcado por bate-bocas e desrespeito às regras

  • coberturasespeciai
  • 30 de set. de 2022
  • 5 min de leitura

Estavam presentes os quatro primeiro colocados nas pesquisas, além de Soraya Thronicke, do União Brasil, e Padre Kelmon, do PTB


Por: Beatriz Mattos, Carolina Maia, João Manoel Morais e Paola Burlamaqui



O debate presidencial desta quinta-feira (29), transmitido pela TV Globo, foi marcado por discussões, acusações e desrespeito às regras. Ao longo dos quatro blocos, os representantes usaram a maior parte do tempo para atacar uns aos outros, deixando as propostas em segundo plano. O atual presidente, Jair Bolsonaro (PL), e o ex-presidente Lula (PT) foram os principais alvos de críticas.


Os pedidos por “direitos de resposta” marcaram o primeiro bloco. Foram três de Lula, diante de acusações feitas por Jair Bolsonaro, que teve dois. Além disso, as interrupções entre os candidatos também marcaram o debate até o último bloco. Os embates entre Soraya Thronicke e Padre Kelmon também foram destaque por conta dos diálogos e enfrentamentos diretos. A frase “O senhor não tem medo de ir para o inferno?”, feita por Thronicke ao candidato do PTB, desencadeou o confronto que estendeu-se durante os três blocos seguidos.


Ainda no primeiro bloco, Bolsonaro defendeu sua postura de governo durante a pandemia e exaltou a medida do Auxílio Emergencial: “Eu fui o único presidente que não fui com o senso comum de obrigar o povo a ficar em casa”, afirmou o candidato do PL. Ao ser questionado sobre o atraso de 45 dias para a compra de vacinas, Jair afirmou que “nenhum país do mundo comprou vacina em 2020”. De acordo com levantamento do Poder360, ainda em 2020, 50 países já haviam iniciado a vacinação contra Covid-19.


Organizada em modelo de temática livre, a segunda parte do debate também contou com acusações e mais descumprimentos das regras. Durante a conversa entre o Padre Kelmon (PTB) e o ex-presidente Lula, foi necessário que o mediador, William Bonner, interrompesse o diálogo entre os dois candidatos. ‘’Nós vamos cortar o microfone dos senhores, e eu peço desculpas ao público pela cena que neste momento está se desenrolando aqui”, disse o jornalista. O bate-boca aconteceu por conta de um questionamento sobre os escândalos de corrupção ocorridos durante o governo do PT.


O tema da corrupção foi abordado novamente, dessa vez, entre Ciro Gomes e o atual presidente. O representante do PDT afirmou que Bolsonaro e seus familiares estão sob acusações ‘pesadas’. Segundo o candidato, durante o governo de Bolsonaro, houve a maior queda na taxa do PIB (7%), aumento do nível de desemprego (12%) e corrupção generalizada.‘’Que mentira, Ciro. Corrupção generalizada onde? Me aponte uma fonte de corrupção! Não tem!’’, respondeu o presidente acerca das acusações.


Apesar das acusações, ao longo do bloco, alguns candidatos apresentaram algumas de suas propostas. Simone Tebet (MDB) perguntou para Soraya Thronicke como resolver o problema da educação dos jovens no Brasil. ‘’Falamos muito em conectividade, só que existem crianças nas escolas que estão sem água, sem merenda, enquanto tem gente que come picanha e se 'lambuza' no leite condensado'', comentou Soraya, fazendo alusão ao presidente Bolsonaro . As duas candidatas se mostraram insatisfeitas com a situação educacional do país conduzida pelos líderes políticos.


A organização do terceiro e quarto bloco foi feita com perguntas baseadas em temas específicos. Apesar de alguns candidatos terem ignorado os assuntos sorteados, veja o que foi falado sobre alguns tópicos presentes ao longo do debate:


Questões ambientais


Simone Tebet afirmou que Bolsonaro foi o pior presidente na gestão ambiental e na história do Brasil. O chefe do executivo rebateu ao dizer que o Brasil é exemplo para o mundo na questão ambiental e que ⅔ das florestas estão preservadas da mesma maneira de quando Pedro Álvares Cabral chegou no país. Após a candidata do MDB afirmar que o presidente apoia projetos de meio ambiente que são um retrocesso, em tréplica, Bolsonaro exaltou a viagem feita até à Rússia no início da guerra para negociar fertilizantes com o país.


Educação


Sobre a pauta da Educação, O candidato Padre Kelmon afirmou que as universidades públicas são locais de militância e que filhos de ricos vão para faculdade pública, enquanto filhos de pobres têm que pagar faculdades particulares. “Educação de qualidade é quando passa a investir na criança, depois no adolescente, para a universidade não virar militantes da esquerda”.


Já Ciro Gomes, falou sobre seu plano de transformar a educação pública em uma das 10 melhores do mundo em um prazo de 15 anos e enfatizou que, no governo do Ceará, teve sucesso na condução do tema.


Combate ao Racismo


Soraya Thronicke direcionou ao Padre Kelmon a pergunta em relação a defesa da população preta, parda e indígena em meio a episódios de preconceito. Em resposta, o candidato do MDB afirmou que todos os brasileiros são irmãos, cristãos e moradores da casa comum que é o Brasil. Além disso, o padre fez uma crítica sobre quem “enxerga a cor da pele, divide e manipula pela cor de pele”. Em réplica, Soraya afirmou que o candidato é um “padre de festa junina” e que estava ali para ser cabo eleitoral de Bolsonaro. “O senhor está igual ao seu candidato, nem estuda, nem trabalha” afirmou a candidata.


Política Cultural


Jair Bolsonaro afirmou que quando assumiu a presidência, a Lei Rouanet permitia artistas pegarem até 10 milhões de reais por ano, e que ele mudou isso, fazendo com que hoje em dia seja no máximo 500 mil. Em resposta, Padre Kelmon fala que utilizavam dinheiro da Lei Rouanet para imoralidades como “peças com pessoas peladas” e que o corpo humano é “templo de Deus”.


Gastos Públicos


Simone Tebet afirmou que o governo do PT se assemelha ao de Bolsonaro, por conta de desvios de dinheiro, denúncias de corrupção e uma má administração monetária. Em resposta, Lula apontou que quando chegou no governo o país possuía 12% de inflação e de desemprego, e que ele reduziu essa inflação para 4.5%, além de ter gerado cerca de 22 milhões de empregos durante seu governo.


Cotas Raciais


Ao ser sorteado a perguntar sobre cotas raciais, o candidato Luiz Felipe D'Ávila contornou a pergunta para abordar o tema de corrupção. Ele questionou ao ex-presidente Lula sobre como o candidato pretende governar o país, afirmando que ele já perdeu R$120 bilhões de reais para a corrupção e que este episódio afetou a questão das cotas.


“Você não sabe o prazer que eu tenho de ser um presidente que não tem diploma universitário que tirou a universidade brasileira de 3,5 milhões para 8 milhões de estudantes (...) Você está diante do presidente que mais teve preocupação com a inclusão social.” disse o ex-presidente e candidato Lula em resposta a pergunta.


Saúde


Felipe D’avila e Simone Tebet debateram sobre o tema. A candidata falou sobre a necessidade de o governo federal voltar a investir no SUS, além de atualizar a tabela SUS, equipar aparelhos e colocar telemedicina e prontuário único nos hospitais. O representante do Novo concordou com Tebet, mas ressaltou a necessidade de trazer hospitais privatizados para dentro do Brasil.


Este foi o último debate presidencial antes das eleições, que acontecem neste domingo, dia 02 de outubro. Todas as seções eleitorais funcionarão das 8h às 17h do horário de Brasília. A divulgação dos resultados começará a partir das 17h do mesmo dia.


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